AUTO-RETRATO DESILUDIDO

Há muitas palavras. 
Estão à nossa volta e é só escolher como quem escolhe num supermercado o que precisa para a vidinha dos dias. Algumas moles, outras duras como diamantes em bruto.
Mas há uma palavra que aos poucos vai cimentando a sua presença sobre as coisas e os dias.
Desilusão.
É a palavra que melhor me caracteriza, de há largas semans para cá.
Misturada com silêncio, ausência, letargia, alheamento, desinteresse, desencanto, desmotivação…
No céu noturno busco a Lua, porque é ela que impede o “tudo negro” e ali em baixo um mar arredio, pouco mais do que sussurrando a ténue ondulação sobre os calhaus sem olhos, que nem todos pedras. Até eles (Lua e mar) se me afiguram desiludintes. Provavelmente porque os olhos que a vêem e os ouvidos que o escutam se destreinaram na sua linguagem.
Revejo-me na absoluta pobreza deste texto, um arrazoado que revela bem a minha atual (in)capacidade para a escrita, pois que da cabeça tantas vezes delirante, nada de rasgos, as palavras sem cor, as frases de um total desinteresse e desalinho, uma amálgama de vulgaridade e mediocridade.
É como ver-me através de uma porta escancarada para a nulidade, um manto cinzento que oculta formas, formata o tempo e o espaço e portanto desenha a desilusão.
Para já, não prevejo “milagres”. 
Só mais silêncio, demasiado cansaço de tudo e de muitos “todos” e sempre uma tremenda e sufocante desilusão.
destaques

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