MEMORABILIA 15 – Uma aventura nas grutas do IP3

Na galeria maior com o Vítor

Foi uma manhã de sábado diferente e
marcante, mas não consigo lembrar-me da data exata. Terá sido em finais da década de oitenta. 
Os trabalhos para a construção do IP3
que, durante a semana, movimentavam dezenas de homens e máquinas, estavam, nesse sábado, parados. O Vítor (se leres isto, perdoa-me, já não
 recordo
o teu apelido), trabalhava nessa grande empreitada. 

Combinámos o
encontro junto à Água de Soito e lá fomos nós, munidos de lanternas e de uma
grande ansiedade! O meu amigo José Fernando apareceu com a sua inseparável
Praktica, uma máquina fotográfica alemã muito fiável. 
A zona onde
estava localizada a gruta tinha, ao lado, uma parede de rocha que tinha sido
fustigada pelas máquinas, para abrir caminho ao acesso da nova via rápida.
“Foi preciso recorrer a explosivos para conseguir ultrapassar a enorme laje”, recorda
Júlio Leitão, que na época manobrava uma máquina giratória ao serviço da
empresa Tâmega e me ajudou a relembrar este episódio. Quase três décadas passadas, Júlio Leitão, morador na Água de
Soito, ali a dois passos do IP3, recorda esses tempos – “eu estive em
França e voltei em 1988. Quando regressei fui trabalhar para a Tâmega. Foi preciso
movimentar toneladas de pedra e terra. Foi uma grande obra”.
Ora, essa operação de terraplanagem
deparou-se, um dia, com uma enorme fenda que fazia desaparecer toda a terra e detritos.
Foi por aí, por essa entrada, uma abertura vertical, que entrámos na gruta.
Nesse dia, confesso que nem pensámos nos riscos que poderíamos correr. A curiosidade e a
vontade de explorar sobrepunha-se a tudo. Importa dizer que nem eu, nem o Vítor
ou o Zé, tínhamos conhecimentos de espeleologia e, por isso, limitámo-nos a
entrar, observar e a fotografar esta cavidade natural que estava ali aos nossos
pés.
Lembro-me do fascínio que senti ao olhar
em redor e ver as várias formações de estalactites. As paredes da caverna eram
em tons castanho e dourado e o ambiente era muito húmido. Estávamos, talvez, a quinze, vinte metros da superfície. A gruta tinha uma
caverna, de dimensões médias e outra mais pequena. No meio do escuro era possível
distinguir pequenas cavidades que poderiam conduzir a outras galerias, mas sem
equipamento apropriado e sem dominarmos as técnicas da espeleologia decidimos
não avançar. Fotografámos o possível, admirámos as formas incríveis que as rochas tinham adquirido e saímos. 
Quem é de Penacova sabe que no vale da Galiana e Quinta dos Penedos há outras cavernas e o solo é propenso a este tipo de
fenómenos. Depois da visita, entregámos cópias das fotos à câmara e sei que a gruta chegou a ser visitada por geólogos ou espeleólogos e, mais tarde,
selada. Gostava de ter conversado com esses especialistas para saber do potencial desta gruta que, nos idos anos oitenta, transformou aquela manhã de sábado numa grande aventura!

destaques

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