Os trabalhos do presidente reeleito

PS obteve melhor resultado de sempre em Penacova
O PS-Penacova tem razões para celebrar! Obteve, em percentagem, o melhor resultado de sempre e conseguiu a terceira vitória consecutiva. Superou, deste modo, as vitórias conquistadas por Artur Coimbra, figura histórica do partido, em 1976 e 1982, que pelo meio se deparou com um combativo Leitão Couto que venceria, para o PSD, em 1979.
No histórico das eleições autárquicas em Penacova, o resultado alcançado ontem por Humberto Oliveira (54,75%) só é ultrapassado, em termos globais, por Maurício Marques que em 2005 atingiu os 56,17%, marca que fez com que o PSD elegesse cinco vereadores.
Depois de vinte e quatro anos de governação social-democrata, o PS que agora avança para o terceiro mandato autárquico, abre caminho para o que poderá ser um novo ciclo político, já que tem consolidado resultados desde 2009.
A vitória socialista em Penacova deve-se, sobretudo, ao perfil do candidato, que tem vindo a conquistar eleitorado quer ao centro-direita, quer mais à esquerda, à forma politicamente hábil, como o partido tem vindo a disseminar a sua influência na vida da comunidade, nas coletividades e nas instituições locais, deve-se também à conjuntura política nacional (os resultados de ontem comprovam-no), com o PS e António Costa em estado de graça e, last but not least, deve-se ainda à falta de combatividade do PSD que, em posição desfavorável, deveria ter feito muito mais! Aliás, julgo que, a oposição feita pelos sociais-democratas ao longo dos últimos anos, salvo raras exceções, tem padecido do mesmo problema. 
Estratégia política à parte, o que agora realmente interessa é olhar em frente e esperar que os próximos quatro anos sejam mais proficuos do que os anteriores. O presidente reeleito, Humberto Oliveira que recebeu dos penacovenses um voto de confiança inequívoco, deve retribuir com ações que projetem Penacova para a dimensão que merece.
O município necessita, acima de tudo, de medidas que estimulem a criação de emprego e o investimento privado. Só com mais emprego será possível fixar a população e reduzir o impacto do envelhecimento e da desertificação. Para concretizar este desígnio vejo dois caminhos: aproveitar as boas acessibilidades (IP3, IC6) e ampliar os parques empresariais e, tem sido tema recorrente aqui no blogue, apostar fortemente no turismo. Não vamos lá só com a criação do centro de trail e btt, com o museu do moinho e com as bandeiras azuis. É bom, mas é manifestamente insuficiente! Não vamos lá com um hotel abandonado, restaurantes fechados e milhares de pessoas rio abaixo, de canoa, sem conhecer Penacova! Não vamos lá com o empreendimento dos moinhos da Atalhada, ao abandono, e ali a poucos metros, se enterram centenas de milhares de euros, numa pista de automóveis que nunca terá o mesmo retorno! Penacova precisa de identidade, de uma marca, de uma estratégia que projete este potencial. Felizmente para Portugal, o turismo cresce a dois dígitos! É um setor transversal que pode, à escala local, aqui em Penacova, criar emprego e fazer crescer múltiplos negócios: restauração, alojamento, transportes, serviços, comércio tradicional, bancos, animação e lazer, etc… Infelizmente não estamos a aproveitar este boom do turismo e, por isso, aqui fica o desafio ao município para que aposte em definitivo numa área que pode transfigurar Penacova! Veja-se o case study de Óbidos que, em poucos anos, se tornou num dos grandes centros turísticos do país.
Nas necessidades básicas também há carências que os executivos socialistas ainda não resolveram. O saneamento continua a marcar passo e exige-se maior rigor no planeamento e execução dos projetos. No abastecimento de água ainda há populações que se debatem com problemas. Na rede de estradas, sedes de freguesia, como Carvalho, não podem esperar tanto tempo por obras. Ao nível dos transportes, o município deve avançar para uma solução que leve a mobilidade às aldeias e à população mais idosa.
Ao reeleito executivo socialista, os penacovenses devem exigir uma gestão mais transparente, mais rigorosa na aplicação dos recursos financeiros e mais focada naquilo que realmente interessa: o desenvolvimento de um território e das suas gentes que, sem as políticas certas, corre o risco de ver partir a franja da população mais jovem, de ver cada vez mais aldeias desertificadas, de ver aumentar a emigração e, espero sinceramente que não, de entrar num caminho sem retorno e sem esperança.
     
destaques

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