Fogo não pode parar ciclo de crescimento

Em Maio de 2011 Portugal vivia um dos períodos mais negros da sua história. Tinha início o plano de assistência financeira, acordado entre as autoridades portuguesas, União Europeia e Fundo Monetário Internacional. Dois meses depois, em pleno contraciclo, era inaugurado o Hotel Rural Quinta da Conchada. 
António Dias, administrador do hotel
O projeto saiu da cabeça de António Dias, um empreendedor que não teve receio em investir no seu concelho, apesar de a conjuntura não ser a mais favorável. Emigrante em França durante quase três décadas, com algum conhecimento na área da restauração e hotelaria, António Dias seguiu os conselhos de um antigo presidente da Região de Turismo do Centro e aproveitou um terreno, junto às margens da albufeira do Coiço, para erguer a unidade hoteleira.
“A minha primeira ideia foi fazer um restaurante mas depois de ouvir o senhor José Manuel Alves, que liderava o Turismo do Centro na altura, fiquei convencido”, explica António Dias.
Estes foram os primeiros parágrafos do artigo “Um oásis no meio do imobilismo” que escrevi em maio de 2015 aqui no blogue. Nesse dia, em que me encontrei com António Dias retive a sua fé inabalável num projeto que teimava em trilhar um caminho, apesar da conhecida apatia das entidades locais em relação ao turismo. Quando partilhei o artigo nas redes sociais, foram vários os profetas da desgraça que vieram a terreiro vaticinar o falhanço do hotel. Ataques inqualificáveis, na praça pública, de quem não tem a noção da importância de um projeto destes para o concelho!
O ano de 2017 estava a ser o melhor de sempre da unidade hoteleira, com taxas de ocupação a tocar os 100% e uma carteira de hóspedes que crescia a olhos vistos.
Embalado pelo boom do turismo nacional, com uma boa política de marketing, em todas as plataformas e com uma presença assídua nas maiores feiras do setor, o Hotel Rural Quinta da Conchada ultrapassou dificuldades e, ao sexto ano de atividade, estava a consolidar-se enquanto empreendimento turístico de relevo em Penacova e na região.
O incêndio que afetou as instalações de eventos, é um golpe duro, mas quero crer que não será impeditivo de interromper este ciclo de crescimento.
O fogo do passado dia 15 de outubro, afetou 38 unidades da região centro e foi responsável pelo cancelamento de mais de 70% das reservas. A unidade turística Vale das Maias, em Laborins, também foi severamente atingida. As medidas decididas pelo governo de apoio à reposição da atividade turística devem ir rapidamente para o terreno. O município e as entidades da região devem empenhar-se num apoio vigoroso a estes, e a todos os empreendedores que contribuem para a dinâmica da economia local. Agora é hora de renascer!
destaques

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