Arménio Neves e a sua motorizada
O incêndio do passado dia 15 de outubro foi funesto para Arménio Neves. Parte da casa onde habita mais a esposa, os anexos, os animais, as oliveiras e a motorizada, tudo foi atingido pela fúria das chamas.
Por volta das nove da noite desse dia, ele e Ermelinda abandonaram Vale do Barco e foram levados para Penacova. Algumas horas depois regressaram e o cenário era de desolação. A onda de solidariedade que, no dia seguinte, começou a ganhar forma, tocou-lhe bem fundo – “nunca pensei que tivesse tanta gente amiga!”.
Conta-me que vieram pessoas de Guimarães para ajudar a pintar a casa, de Sazes e de toda a sua freguesia. Arranjaram o telhado, as portas, limparam e trouxeram donativos. “O largo onde o senhor tem a carrinha estava cheio! Olhe que há batizados com menos gente”, confessa ainda um pouco incrédulo com a mobilização dos conterrâneos e até de desconhecidos que, voluntariamente, quiseram ajudar.
O fogo levou-lhe também o meio de transporte. “A motorizada leva-me para todo o lado! Para o trabalho, para São Pedro de Alva, à feira, à farmácia. Não tenho dinheiro para alugar um táxi e aqui não passam autocarros. Vou eu e a minha mulher, vão também as ferramentas, quando é preciso”, conta Arménio Neves.
Quando se soube que tinha ficado sem a Sachs, Alzira Pimpão, de São Pedro de Alva, iniciou uma campanha nas redes sociais para comprar uma motorizada. A corrente de generosidade rapidamente reuniu o dinheiro necessário e, há poucos dias, Arménio Neves recebeu uma Sachs semelhante à que tinha perdido no fogo.
“São as minhas pernas! Ela leva-me a todo o lado!”, diz-me sem desviar o olhar da máquina, vermelha e resplandecente. Arménio está na casa dos sessenta. Trabalhou largos anos no setor da transformação de madeira – “Primeiro foi na Paletaco, em Paredes e depois numa serração no Silveirinho. Agora dedico-me à agricultura e ao trabalho que vai aparecendo, desde a limpeza de matas, à apanha da azeitona. De tudo um pouco!”
Por estes dias, o que parece ser uma entorse no joelho, tem-no atormentado. Movimenta-se com dificuldade e só com a ajuda de uma muleta. “Mas quando isto passar, volto a pegar na motorizada! É com ela que voltarei ao trabalho, mas primeiro quero agradecer a todos, um por um, o que fizeram por mim!” Assim seja, senhor Arménio!
  
destaques

Recent Posts

Peças para campeões fabricadas na Espinheira

Mário Ribeiro, administrador da Extramotion Há uma empresa, na zona industrial da Espinheira, de tecnologia de ponta, que exporta grande…

3 dias ago

Esta livraria faz cinco anos!

A verdadeira livraria junto ao Mondego Há cinco anos retomei a escrita e batizei este espaço de reflexão com o…

2 semanas ago

Da hospedaria da ti Leocádia à pensão da Altina do Amaral

É num livro publicado em 1903 pela Tipografia Vasconcelos (Porto) que, à volta de algumas aventuras de um grupo de…

2 semanas ago

O machado de pedra polida encontrado em Lorvão em 1973

A Associação Pró-Defesa do Mosteiro de Lorvão acaba de publicar na sua página no Facebook informação mais pormenorizada sobre o fragmento…

2 semanas ago

Vida de Left Hand Georges contada em filme

Na casa do Chainho em 2003 A vida e o percurso artístico de Left Hand Georges vai passar para as…

3 semanas ago

Mosteiro de Lorvão: processo de musealização tarda em avançar

A Deputada do PCP Ana Mesquita, acompanhada por membros da Comissão concelhia de Penacova, da direcção Regional de Coimbra do…

3 semanas ago