Prejuízos dos apicultores são muito elevados

Sim, a feira deveria ter acontecido, não para preservar uma tradição que vem de longe, desde os tempos em que o grande magusto se realizava no Terreiro, mas sobretudo, para poder ajudar aqueles que foram afetados pelos incêndios. 

Para mim, uma feira deste género deveria ter sempre presente uma única matriz: apoiar os produtores locais, nas suas mais diversas atividades. A produção de mel, os licores e compotas, os cogumelos, o pão caseiro e os enchidos, o artesanato, a gastronomia, enfim, os chamados produtos da terra ou endógenos que têm aquele sabor inigualável! Ora esses produtos nascem, quase sempre, das mãos de pequenos agricultores que encontram nesta atividade uma forma de aumentarem o seu rendimento mensal. É a chamada agricultura de subsistência que ocupa, ainda hoje, tantos penacovenses. Todos sabemos que o grande incêndio de quinze de outubro não poupou esta parte da população. As chamas devoraram os campos, as vinhas, os animais, as alfaias, os tratores, as colmeias, e em muitos casos toda uma vida dedicada à lavoura. O fogo retirou a estes pequenos agricultores, muitos deles a viverem com parcas reformas, o tal rendimento extra que, alguns, conseguiam obter com os produtos da terra.

Na apicultura, por exemplo, as perdas foram dramáticas. Em toda a região e também nas freguesias do chamado alto concelho, centenas de colmeias ficaram queimadas. Perderam-se grandes efetivos, desapareceu a vegetação, o alimento essencial das abelhas e a produção de mel, para os próximos tempos, está comprometida. A juntar aos incêndios, os ataques da vespa asiática e os meses de seca agravaram a situação.
Não seria a Feira do Mel e do Campo uma boa oportunidade para os apicultores afetados poderem vender o seu mel e assim ajudar a minimizar os prejuízos? Não seria a Feira do Mel e do Campo o local ideal para os pequenos agricultores do nosso concelho, os que mantiveram alguma capacidade de produção, virem comercializar os seus produtos?
A Lousã, por exemplo, onde os prejuízos com a apicultura são enormes, realizou a feira este fim de semana. O autarca local, Luís Antunes disse ao jornal Diário de Coimbra que “o evento era determinante para puxar pelo concelho e levantar a moral da comunidade” depois dos incêndios. O certame foi uma forma de os apicultores poderem escoar algum mel e atenuarem as perdas provocadas pelo fogo.
Eu julgo que a Feira do Mel e do Campo, com entradas pagas e com o cuidado de selecionar produtores, artesãos, agricultores, apicultores e associações locais, das aldeias mais afetadas, das uniões de freguesias de São Pedro de Alva e São Paio do Mondego, Friúmes e Paradela da Cortiça e Travanca e Oliveira do Mondego, seria uma forma de auxiliar as vítimas dos incêndios.
destaques

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