Piedade e António, vivem no Castinçal
Há dois meses o “diabo”, como muitos lhe chamam, principalmente os que testemunharam esse dia, destruiu casas, propriedades agrícolas, animais, máquinas, empresas e, sobretudo, vidas humanas. O património construído, na maior parte das vezes, com muito esforço, desapareceu em poucos minutos. Foi o que aconteceu com a habitação de António Oliveira Coimbra, no Castinçal. “Não salvámos praticamente nada! Ficámos só com a roupa que tínhamos no corpo!”, recorda Piedade, a esposa deste antigo padeiro. Da casa ficaram as paredes e um amontoado de ferros retorcidos. “Ardeu tudo, toda uma vida está aqui, reduzida a cinzas! Fomos para casa da minha filha, aqui perto.” 
Da casa, no meio da aldeia, sobraram os anexos e o trator, “foi o meu filho que teve a coragem de entrar pelas chamas e tirá-lo, ma arriscou a vida!”, conta Piedade.
Dois meses após o incêndio, que atingiu violentamente, as freguesias do alto concelho, a habitação de António e Piedade continua um monte de escombros. “Ainda não se fez nada, continuamos à espera! Um amigo, o Filipe Amaral, tem-nos ajudado, porque todos os meus documentos também desapareceram. Já falei com o engenheiro Albertino, da câmara de Penacova e com a junta de freguesia, mas continuo à espera”, desabafa António. “Gostávamos de voltar a ter o nosso espaço, nem que fosse mais pequeno, porque a casa onde estou é da minha filha que está em França. Vivemos de reformas pequenas e não temos grandes possibilidades”, acrescenta Piedade. 
Sobre aquele dia fatídico, António é parco em palavras – “foi tudo muito rápido! Havia muito vento, muito fumo. O fogo pegou num silveiral, aqui perto, e virou-se para aqui. Não houve tempo.”
Contactado pela Livraria do Mondego, Vítor Cordeiro, presidente da União de Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio do Mondego adiantou que o levantamento dos prejuízos já foi feito há algum tempo e que o processo está agora nas mãos da CCDR-Centro que vai assumir a reconstrução das habitações.
O incêndio do passado dia 15 de outubro queimou, total ou parcialmente, vinte e oito habitações, em três freguesias, a saber: União de Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio do Mondego, União de Freguesias de Oliveira e Travanca do Mondego e União de Freguesias de Friúmes e Paradela da Cortiça. 
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