Um mercado para revitalizar a zona histórica

Edifício dos correios em Penacova
Volto ao tema da reabilitação urbana do centro histórico de Penacova para dar um exemplo, uma ideia, do que poderia ser um forte contributo para reanimar o coração da vila. Em 2014 escrevi, aqui no blogue, um texto intitulado “Erros na gestão do espaço público”. Permiti-me dissertar sobre algum edificado que, em minha opinião, manchou e, em alguns casos, continua a manchar a paisagem urbana. Quando digo manchar, quero dizer más decisões, do ponto de vista arquitetónico e urbanístico, ou imóveis e construções em estado devoluto ou de semi-abandono. Nesse texto dei como exemplos, o antigo hospital, o cemitério da Carvoeira, o parque municipal, também conhecido como “Ténis” e o edifício dos correios. Por razões de vária ordem, todos eles, tiveram ou, ainda têm, um impacto negativo na paisagem.
Sobre o edifício dos correios, localizado no Largo de S. Francisco, mantenho o que escrevi há quatro anos – “a localização privilegiada, bem no coração da vila, adivinhava uma solução que passasse por um jardim ou outro equipamento coletivo. Com uma área generosa, era grande a tentação para edificar, mas nunca com aquele traço arquitetónico! Salta à vista, que o edifício dos correios, pela sua forma e volume, manchou a harmonia do casario.”
Há poucas semanas, numa conversa deveras entusiasmante, com um jovem arquiteto penacovense, veio à baila a atual morada dos correios. “E porque não converter o prédio em mercado municipal?”, disse-me de forma assertiva! Concordei, sem pestanejar! De facto, adaptá-lo para esse efeito traria inúmeras vantagens ao centro histórico: aumento de atividade do comércio tradicional, de novos serviços, maior afluxo de pessoas e maior dinâmica daquela zona, estímulo aos residentes e proprietários de imóveis e, sobretudo, seria uma injeção de vitalidade ao envelhecido e, cada vez mais, despovoado, centro de Penacova.
A juntar a tudo isto, encerrava-se o capítulo do atual mercado municipal! Uma estrutura desajustada, sem condições, quer para os comerciantes, quer para o público. Um espaço exíguo, onde se atropelam viaturas e onde ainda é comum, nos nossos dias, ver peças de carne a deambular pela rua!
É evidente que o edifício dos correios, é, julgo eu, dos correios!  Todavia, quem conhece a realidade, reconhecerá que está sobredimensionado para a atual atividade da empresa. Materializar esta ideia passaria, como é óbvio, pela vontade de ambos e, sobretudo, pela câmara de Penacova em querer abraçar este projeto.
O centro histórico de Penacova tem, nos próximos anos, uma grande desafio pela frente. Os instrumentos de reabilitação urbana disponíveis, para que os proprietários possam recuperar os imóveis, devem ser acompanhados de projetos e iniciativas públicas que motivem a comunidade. A transformação do edifício dos correios em mercado municipal poderia ser um desses projetos mobilizadores.
Álvaro Coimbra
       
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