Um cais para a Barca Serrana

O cais da Barca Serrana em 2012 / FOTO: Carlos Alvarinhas Miguel
Esta semana almocei no simpático restaurante “O Cantinho” e enquanto esperava pela refeição fixei o olhar na enorme fotografia da Barca Serrana que está exposta na sala. Dei um salto no tempo e imaginei-a a percorrer o Mondego, de velas ao vento, cheia de mercadorias, sob o olhar atento do barqueiro. Deslizava pelas águas com um leveza de movimentos que mais parecia um bailado.
A Barca Serrana é uma marca da nossa identidade e é pena que seja tão esquecida! Um dos poucos momentos do ano em ela que assume o papel principal vai acontecer este sábado, na “Festa do Barqueiro”, organizada anualmente pelo Grupo de Solidariedade, Social, Desportivo, Cultural e Recreativo de Miro. O evento junta folclore, gastronomia, artesanato mas é, sobretudo, uma oportunidade para reviver os tempos em que a Barca Serrana reinou nas águas do Mondego. A recriação das “lides do rio” vai ter lugar entre a Livraria do Mondego e as proximidades do ramal de Miro.
Um pouco mais a jusante, a praia fluvial do Reconquinho está pronta para mais uma época balnear. A caixa de areia, as sombras, as passadeiras, enfim, os chamados apoios de praia estão lá, mas falta um espaço digno para mostrar a nossa Barca Serrana. Ora, esse espaço, esse pequeno cais, já existiu, mais concretamente em 2012, quando uma nova embarcação foi lançada à água. A barca foi construída, por uma empresa da Ferradosa, a carpintaria PMHR, ao abrigo do programa NEA2 – Náutica no Espaço Atlântico. O projeto executado sob a alçada da AD ELO – Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego tinha, entre os seus objetivos, potenciar os recursos turísticos e preservar o património. Parece-me que, no que toca à reabilitação e promoção deste símbolo de Penacova, esses objetivos ficaram muito aquém. Apesar do leito do rio ter, hoje em dia, vários obstáculos seria sempre possível, ainda que num trajeto mais curto, fazer passeios regulares a partir desse cais, instalado no Reconquinho. Se em Aveiro, os moliceiros são um cartaz turístico sempre muito concorrido, porque não fazer algo semelhante em Penacova, ainda por cima com um enquadramento paisagístico tão fantástico?
Na verdade, com a bandeira azul já içada, não há sinais do tal cais que, há alguns anos, serviu de abrigo à Barca Serrana. 
destaques

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