Antero mestre relojoeiro há cinquenta anos

Antero Alves tem 74 anos
Encontro o mestre relojoeiro na conhecida rua Conselheiro Barjona de Freitas, no coração de Penacova. A sua loja está lá, de porta aberta, desde o dia doze de outubro de 1976, mas Antero Alves entrou no mundo dos relógios alguns anos antes – “eu trabalhava no Grémio da Lavoura e, um dia, na pausa após o almoço, encontrei no café Beirão, um jornal com um anúncio de cursos de relojoaria por correspondência”. Foi ali, naquele momento, que tudo começou – “inscrevi-me e comecei a fazer diabruras com o despertador que tinha lá em casa. Os testes foram correndo bem e ganhei o gosto pela arte. Terminei o curso com média de 19,3 e foi o início de tudo…”, confessa Antero Alves nesta viagem aos finais do anos sessenta, do século passado.
Ao longo do tempo lá foi conseguindo conciliar os horários no Grémio com a reparação de relógios – “saía, normalmente às 17.30 e depois dedicava-me aos relógios. Passava horas em frente às pequenas máquinas e até perdia a noção do tempo!”
Em 1976 abriu a loja, no rés-do-chão de uma casa que pertencia a um antigo presidente da câmara – “este espaço era, antigamente, o curral da mula! Era uma casa à moda antiga, onde os animais ocupavam o piso térreo.”
Os anos foram passando e Antero Alves, natural de Miro, foi aperfeiçoando a sua técnica. O torno, a lupa e a pinça passaram a ser ferramentas indispensáveis. “Hoje consigo fazer alguns componentes de um relógio, como por exemplo, o eixo de balanço. É uma peça essencial ao funcionamento da máquina.” A loja está cheia de relógios de parede e, pelo interior, há vitrines com relógios de todas as marcas e feitios – “há muitas marcas por aí, mas os suíços continuam a ser reis e senhores”, sublinha Antero Alves que, para além da relojoaria também tem um carinho especial pela ourivesaria – “sou, sobretudo, um autodidata e faço reparações em peças de ouro e prata. Utilizo para estes trabalhos uma ferramenta pouco usual, um maçarico de boca. Permite-me controlar melhor a intensidade”, revela este mestre relojoeiro atualmente com setenta e quatro anos.
Sobre o futuro da arte, não vê grande augúrio – “Isto caminha para a extinção porque não há ninguém a aprender, não há formação. Dos que fazem alguma coisa, ainda sou dos mais novos!”  
destaques

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