Parque de Louredo pisca o olho aos canoístas

Louredo Natura Parque
No início do ano, a câmara de Poiares inaugurou o Louredo Natura Parque. O espaço tem tudo para dar certo. Sombra, tranquilidade, mesas para piquenique, bons acessos, sanitários, estacionamento para bicicletas, água e um centro-aventura.
Este centro não é mais do que uma estrutura, um módulo em madeira, bem enquadrado na paisagem, que vai apoiar a realização de eventos, na área do desporto-aventura.
A localização do Louredo Natura Parque é outro ponto a favor. Está a poucos metros do rio Mondego e de um açude, de onde partem muitos canoistas.
O tal centro-aventura, que funciona em parceria com a empresa Capitão Dureza, que tem anos de experiência nas descidas de rio, vai apoiar esta atividade que, como sabemos, é um cartaz que chama pessoas dos quatro cantos do mundo.
A câmara de Poiares, e muito bem, vê neste segmento do desporto-aventura, uma oportunidade para dar a conhecer o seu território. Por isso, na sinalética do Louredo Natura Parque, não faltam as referências ao artesanato, à gastronomia, às piscinas da Fraga e outros pontos de interesse.
E Penacova, o que tem feito para chamar a atenção dos milhares de pessoas que, todos os anos, descem o Mondego até às portas de Coimbra?
Desde 1988, ou seja há trinta anos, que há descidas de canoa. Os pioneiros, o casal belga Dirk Van Vossole e Kristen Devloo-Delva começaram esta saga a partir do Reconquinho, no tempo em que não existia açude na Carvoeira.
Pelas contas do “Pioneiro do Mondego”, mais de cem mil pessoas fizeram este passeio rio abaixo. E se somarmos todas as outras, e são mais de uma dezena e empresas, o número atinge proporções estratosféricas. Em 2015, alguns dos açudes foram intervencionados para a colocação de novas escadas de peixe. No açude da Carvoeira, a passagem para as canoas não ficou do agrado das empresas que alegaram falta de condições de segurança. O professor Pedro Raposo, da Universidade de Évora que fez o acompanhamento científico das obras, reconheceu que o resultado final não foi o melhor, mas apresentou à câmara de Penacova e às empresas uma solução, à base de linhas de boias, para que as canoas pudessem fazer a passagem com o mínimo risco.
Certo é que, nada aconteceu e hoje, continuamos a ver as descidas de rio a começarem, todas, a jusante da praia do Reconquinho. A meu ver, Penacova desperdiça uma oportunidade! Esses milhares de amantes do desporto-aventura vão rio abaixo e acabam por não conhecer esta terra. 
Mais atenta a esta realidade, a câmara de Poiares criou o Louredo Natura Parque, e fez o que em trinta anos Penacova não conseguiu fazer!
destaques

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