Em 2013 São Paio foi agregada à freguesia de São Pedro de Alva
O governo quer voltar a reorganizar o mapa de freguesias e vai apresentar no parlamento, na próxima sessão legislativa, uma proposta a tempo de ser aplicada, ou não, nas próximas eleições autárquicas, em 2021. O governo já esclareceu que não se trata de uma reversão automática, mas antes corrigir um mapa que foi feito a “régua e esquadro”.
Esta nova reorganização terá por base os seguintes critérios: prestação de serviços à população, eficácia e eficiência da gestão pública, representatividade e vontade política da população, história e identidade cultural e área, número de habitantes e meio físico.
Em 2013, por influência da troika, o governo PSD/CDS eliminou mil cento e sessenta e oito freguesias. No concelho de Penacova, as freguesias passaram a oito, com as uniões de São Pedro de Alva com São Paio do Mondego, Oliveira do Mondego a Travanca do Mondego e Friúmes a juntar-se a Paradela da Cortiça.
Antigos presidentes de junta de freguesia, contactados pela Livraria do Mondego, aguardam com expetativa esta vontade do governo e são claros em relação ao que foi feito. A extinção de juntas de freguesia foi um erro!
António Catela foi presidente de junta de freguesia de São Paio do Mondego durante vinte e oito anos, sempre eleito nas listas do PSD. Sobre a reforma de 2013 sublinha que o estado não beneficiou nada com a alteração e as populações das freguesias mais pequenas, as que foram agregadas, também não ganharam nada com isso – “um exemplo: uma campa no cemitério custava cento e cinquenta euros e agora custa oitocentos. (…) O atestado mais caro que passávamos custava três euros e agora custa a módica quantia de cinquenta euros. Resumindo, deixámos de ser freguesia, perdemos a nossa honra e dignidade, perdemos a capacidade de decisão, perdemos a capacidade de gerir nós próprios o nosso destino, perdemos a capacidade de reivindicação e por sermos uma freguesia agregada, os grandes, para poderem reinar procuram dividir-nos.”
Em seu entender, a diminuição do número de juntas de freguesia não foi acompanhada de uma diminuição da despesa – “na maior parte das uniões do país criaram-se mais umas centenas de cargos políticos, com muito mais presidentes a tempo inteiro e a meio tempo e isso só serviu mesmo para alimentar clientelas partidárias.”
O antigo presidente de São Paio do Mondego lamenta que, ao contrário de outros, o edifício da junta de freguesia não tenha continuado ao serviço da população – “em Penacova, todas as Uniões optaram por abrir na mesma os edifícios das juntas de freguesia, mas a de São Paio nunca mais abriu. Há muito mais harmonia nas freguesias de Travanca e Oliveira do Mondego e Friúmes e Paradela precisamente porque, pelo menos moralmente, não querem deixar morrer as freguesias, enquanto parceiros na construção de um futuro coletivo.” 
Gilberto Duarte foi presidente da junta de freguesia de Oliveira do Mondego entre 1997 e 2013, eleito durante quatro mandatos nas listas da CDU. O antigo presidente, atualmente membro da Assembleia da União de Freguesias de Oliveira e Travanca do Mondego vê com agrado e expetativa a intenção de reverter a reorganização administrativa de 2013 – “foi uma reorganização imposta e contra a vontade a sem a participação dos cidadãos e autarquias locais. Foi desenhada a régua e esquadro por políticos da administração central que desconhecem a realidade das autarquias locais, sobretudo, a dicotomia entre as realidades das autarquias rurais e urbanas. A extinção de freguesias não se traduziu em qualquer redução de custos administrativos, nem aumentou os recursos alocados à disposição das autarquias. Pelo contrário, traduziu-se numa efetiva degradação dos serviços de proximidade, essenciais às populações rurais que, em última instância, constituíam uma resistência ao centralismo do estado, combate à desertificação do interior e fomento da diversidade identitária e cultural do país.”
Entre 2014 e 2017, Gilberto Duarte, então presidente da Assembleia da União de Freguesias de Oliveira e Travanca do Mondego, apresentou uma “moção pela reposição das freguesias” que viria a ser aprovada, por unanimidade, naquele órgão em abril de 2016.
destaques

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