O efeito Marcelo

Praia do Reconquinho                  FOTO: Óscar Pereira Trindade
Este verão, o Presidente da República andou de mochila às costas pelo interior do país. Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu promessa feita após os incêndios de junho e outubro, do ano passado, e visitou algumas das zonas mais afetadas.
“Mostrar como é importante que haja turismo nas zonas atingidas pela tragédia do ano passado”, foi nestes termos que o chefe de Estado justificou a vinda a vários municípios do centro do país. Nos primeiros dias de agosto, o Presidente da República, apareceu de forma surpreendente ao volante do seu carro, sem agenda oficial e apenas com a segurança obrigatória, em várias praias fluviais dos concelhos de Vouzela, Tondela, Oliveira do Hospital e Penacova, entre outros. Em todas mergulhou, em todas tirou as famosas selfies, conversou com os veraneantes e, pelo caminho, foi deixando um “desafio aos portugueses para visitarem a região.”
No Vimieiro, no Reconquinho, em Nandufe, em Porto Várzea, ou em qualquer outra onde tenha estado, percebeu-se que a mensagem tinha passado. Estas praias fluviais, habitualmente muito frequentadas em agosto, tinham de facto muito mais gente!
No Vimieiro, Marcelo elogiou o ambiente bucólico e verde da paisagem e no Reconquinho sublinhou a sofisticação da praia. Sim, o Reconquinho está melhor! A bandeira azul e a consequente melhoria das estruturas de apoio têm atraído mais visitantes. Mas ainda há margem para melhorar. Falta o tal upgrade, o passo seguinte, ou seja, continuar a apetrechar a praia e zona envolvente para a tornar num spot turístico da região e, porque não, do país.
É preciso, por exemplo, fazer um bom parque de merendas. É necessário aproveitar a margem direita. A ponte pedonal, à semelhança do que está ser feito na Misarela, deve ser uma estrutura definitiva que substitua a arcaica travessia de madeira. O Reconquinho pode e deve ser ponto de partida das descidas de canoa e, por isso, é preciso criar condições para instalar as empresas. 
A juntar a tudo isto, que já não é pouco, é urgente mudar o funcionamento do bar da praia. Tal como está, não serve os interesses do coletivo. Nos próximos meses, a câmara vai promover novo concurso para a exploração do espaço. Será uma ótima ocasião para redefinir compromissos. O futuro concessionário deverá ter uma ação mais direta na gestão da própria praia (nadadores-salvadores, animação, bar de apoio, gaivotas, etc) para que não caiam sob o município todas as obrigações. A praia do Reconquinho tem condições naturais para ser uma das melhores do país! Claro que não podemos estalar os dedos e voilá, está feito! Mas é preciso começar já!  
Álvaro Coimbra
destaques

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